Edurado Bagnole - Trajetória de Vida
Nascido na cidade de São Paulo em 1955, mudou-se com apenas 4 anos para o Planalto Central, onde à época aconteciam atividades frenéticas associadas à construção de Brasília. Morando por 6 meses em um acampamento às margens do Rio Corumbá e a 80 km da futura capital do País, ocorreram aí os primeiros encontros com uma Natureza quase intocada. Sem que na época se desse conta, o contato quase diário com animais silvestres, pedras das mais variadas cores e formatos e índios recém-expulsos de suas terras, iria marcar e nortear a sua vida para sempre. De volta a São Paulo, passaram a povoar o seu mundo de menino grandes aventuras pela então exuberante Mata Atlântica e posteriormente o Pantanal, com os quais teve contato precoce, intenso e arrebatador. As grandes descobertas arqueológicas e a “salvação” dos povos indígenas – então seriamente ameaçados pela corrida desenvolvimentista da Amazônia – passaram a ser suas prioridades inadiáveis!
Na fotografia Eduardo iniciou-se aos 10 anos de idade, pelas mãos de seu pai – engenheiro civil – que lhe repassou uma antiga Zeiss Ikon de fole, que por anos levara consigo em andanças pelo Brasil afora. Essa câmera acompanhou Eduardo em sua primeira viagem ao exterior (Argentina, 1970), quando se deu conta da magia da fotografia como instrumento de registro de paisagens e culturas. Da viagem seguinte (Estados Unidos e Canadá, 1973) retornou com uma “moderna” reflex - uma Asahi Pentax Spotmatic - que lhe abriu perspectivas antes insuspeitadas. Em 1975, após um curso básico de fotografia no conceituado Foto Cine Clube Bandeirante, Eduardo tornou-se um dos ganhadores do concurso de fotos de surf, organizado pela então famosa revista POP, destinada a publico jovem.
A partir daí a fotografia e o surf passaram a ser parte integrante e indissociável de sua vida. Pouco antes haviam estreado suas viagens expedicionárias pelo mundo. Junto com amigos e a bordo de um Fusca, entre 1974 e 1977, Eduardo percorreu diversos países da América do Sul, tendo sido um dos primeiros brasileiros a chegar na base do Aconcagua, percorrer toda a Patagônia até a Terra do Fogo, cruzar o então inóspito deserto de Atacama e surfado na Ilha de Páscua. Profissionalmente dedicou-se a Geologia, carreira que o levou para vários Estados da Federação e manteve seu equipamento fotográfico ocupado. Concomitantemente prosseguiu com as viagens ao exterior, para conhecer e documentar paisagens e culturas exóticas, o que gerou carimbos de 53 países diferentes em seu passaporte e um acervo único de cerca de 30.000 fotos.
A fotografia de Natureza tornou-se a sua principal ocupação não remunerada, se bem que apenas poucos amigos tenham tido o privilégio de desfrutar das concorridas “seções de slides” que ocorriam ao retorno de cada aventura pelo mundo. A carreira de Geólogo o trouxe finalmente para Natal, onde chegou em 1985. Não só o Rio Grande do Norte, mas todo o Nordeste e principalmente o seu desconhecido e sempre estigmatizado interior passaram a ser a sua “casa”. Do reconhecimento e descoberta de rincões inusitados, perdidos em meio à Caatinga, emergiu espontaneamente, e com muita intensidade, uma carreira de ambientalista e pesquisador de arqueologia, que o tornaram conhecido e respeitado na região. Idealizou e implantou com amigos um projeto de pesquisa e conservação do importante Sítio Arqueológico do Lajedo de Soledade no interior do Rio Grande do Norte. Tamanha foi a repercussão e tão relevantes os resultados alcançados por essa iniciativa, que esse Projeto passou a servir de referência a muitos outros que se replicaram Nordeste afora, a maioria com a participação direta ou indireta do próprio Eduardo. Em 2000 esse trabalho foi reconhecido com o 1º lugar do Prêmio Ambiental von Martius. Dentre os demais projetos, o mais significativo é a criação da APA do Cariri Paraibano, onde se localiza o majestoso Lajedo de Pai Mateus, salvo da destruição iminente pela atuação obstinada e incansável de Eduardo.
O geólogo-ambientalista-fotógrafo não saiu ileso dessas intensas atividades. Na esteira da repercussão de seu trabalho junto ao Lajedo de Soledade e na Inglaterra, para onde viajou em 1993, convidado para dar palestras sobre as potencialidades paisagísticas, culturais e turísticas do Nordeste, Eduardo e sua esposa Carla decidiram mudar o rumo de suas vidas. De volta a Natal, cidade que os cativou desde o primeiro olhar, decidiram criar raízes permanentes no local.
Iniciaram uma pós-graduação em Turismo e dois anos depois estavam inaugurando o Manary Praia Hotel, hoje considerado um dos hotéis mais charmosos e românticos do País. Concomitantemente Eduardo criou a Manary Ecotours, agência de ecoturismo, pioneira em oferecer destinos eco-culturais pelo Sertão nordestino. A obstinação por descobrir, proteger e promover, de forma sustentável, o patrimônio natural e cultural do interior do Nordeste acabou tornando-o um especialista no assunto e, mais importante, obrigou-o a documentar as belezas - muitas ainda desconhecidas - dessa incrível região. Muitas de suas fotos registradas ao longo dos últimos 22 anos tem sido publicadas em revistas, jornais e livros do Brasil e do exterior ( revistas: National Geographic Brasil, Veja, Época, Viaje Mais, Rotas e Destinos; jornais: The Independent, Folha e Estado de São Paulo; livros:
Brasil - Terra Esplêndida, entre outros. Desde 2004 tem se dedicado ao meticuloso trabalho de registrar e selecionar fotos para um livro de arte, que enfocará as belezas, diversidades e segredos do Nordeste, que ele se propõe a revelar. Enquanto o livro não é publicado, Eduardo agora se dedica a organizar o seu extenso acervo e divulgá-lo de diferentes formas. Em junho de 2007 realizou - na prestigiada Galeria de Arte César Revorêdo de Natal - uma concorrida exposição de obras em P&B. Desde então seu trabalho de fine-art tem sido adquirido por arquitetos, decoradores e colecionadores do Brasil e do mundo. Uma pequena, porém representativa amostra de seu trabalho pode ser apreciada na recém-inaugurada Galeria de Arte do Manary.
Uma visão mais completa do trabalho de Eduardo é apresentada em seu site: www.bagnoli.com.br . Quem o fizer terá contato com a obra original e quase inédita de um dos mais talentosos fotógrafos de Natureza do País e compartilhar de seu amor incondicional e contagiante pelo Nordeste e pelos recantos selvagens do mundo.
